-Sabe, nós eramos muito pequenos e achávamos graça em brincar com
espíritos, bem, não só espíritos, provocávamos tudo que tinha um pouco de
sobrenatural. Acreditávamos que eram só mitos, por isso a gente nem ligava
muito, mas era uma diversão em tanto pra gente.
[Apartamento de Clair, 25 de janeiro, de 2052]
Clair: Jhonny, to a fim de assistir um filme, daqueles bem assustadores
sabe.
Jhonny: Eu aluguei alguns, pode escolher entre: As tranças do rei careca
ou O ralo do mar!
Clair: As vezes seu nível de sem noção me supera.
Jhonny: Mas agora falando sério, olha aquele do lado do dvd, O Deserto
de Sangue.
Clair: Já to cansada desse filme. Sabe o que eu acabei de ter uma ideia?
Jhonny: Se você falar ajuda, porque eu não sou bom nessa brincadeira de
adivinhação.
Clair: A gente podia chamar o Philip, e fazer uma roda de contos de
terror, igual quando a gente era criança, era super divertido.
Jhonny: Era divertido porque eramos crianças.
Clair: As vezes eu acho que você ainda é uma criança.
Jhonny: E pelo que eu te conheço, vai insistir na história de chamar o
Philip até eu aceitar.
Clair: Achei que você tinha dito que não era bom em adivinhação.
Jhonny: Eu ligo, ou você liga? O telefone já ta comigo.
Clair: Deixa que eu ligo.
(Jhonny entrega o telefone para Clair e ela liga para Philip)
-Alguns minutos se passam, Philip chega:
Philip: Olá pessoal, quanto tempo que vocês não em chamam, eu já estava
com saudades.
Clair: Sempre de bom humor.
Philip: O que vamos fazer hoje? Assistir pela milésima vez O Deserto de
Sangue?
Jhonny: A Clair estava pensando em contarmos história, tipo quando
éramos crianças.
Philip: Eu tenho uma coisa melhor.
Clair: Diga.
Philip: Que tal a gente provocar a bruxa do espelho?
Clair: Jura?
Jhonny: Acho uma boa ideia.
Clair: Ok.
(Os três entram no banheiro e param em frente ao espelho, com todas as
luzes da casa apagadas)
Philip, Clair e Jhonny: Eu acredito na Bloody Mary, Bloody Mary, Bloody
Mary...
Clair: Hahahahaha, que bobagem, eu não
acredito que fizemos isso.
Jhonny: Vamos lá na cozinha preparar algo
pra comer.
Philip: Hamburgeres?
Clair: Bem, é o que a gente sabe fazer, mas
estamos abertos a sugestões!
-Na cozinha:
Jhonny: Amor, pega os pratos pra mim?
Clair: Claro!
(Clair vai até um armário com portas de
vidro, ela abre, pega os pratos e quando fecha ver o reflexo de uma mulher com
a cara cheia de sangue, então Clair grita)
Philip: O que foi?
Clair: Nada, só achei que os pratos
estivessem caindo.
Jhonny: Sei... vamos no quarto,
precisamos conversar, e Philip, termine de fazer os hamburgeres.
(Clair e Jhonny vão até o quarto)
-No quarto:
Jhonny: Você teve outra daquelas visões,
não foi?
Clair: Sim, mas desta vez foi mais real,
o rosto e uma mulher se refletiu na porta do armário, e sangrava muito...
Jhonny: Pelo jeito, nem psicólogo funciona.
Clair: As visões são reais, eu já te
disse!
(Philip entra no quarto)
Philip: Visões?
Clair: Philip?!
(Eles ficam alguns segundos em silencio)
Philip: Os hamburgeres estão prontos.
-Na cozinha:
Clair: Nós não queríamos te preocupar com
isso Philip!
Philip: Agora eu estou me sentindo um
inútil.
Jhonny: Exagerado como sempre foi.
Clair: Jhonny!!
Philip: Eu quero contar uma coisa...
Jhonny: Agora é a lenda do Chuck o boneco
assassino?
Philip: Não...
Clair: Deixa ele falar Jhonny!
Philip: Bem, eu também venho tendo visões
e a cada dia elas vem se tornando mais reais...
Jhonny: Hã? Só pode ser brincadeira!
Clair: Para Jhonny! Talvez possa ser um
sinal, ou coisa do tipo.
Philip: Talvez um aviso.
Jhonny: Ou talvez frutos de duas
imaginações férteis.
Clair: Agora é mais real.
Philip: Eu também sinto.
Jhonny: A próxima brincadeira é casinha?
Clair: Jhonny, atrás de você...
(Jhonny olha para trás e ver uma mulher,
de pele pálida, a mesma que Clair viu no armário, mais se parecia um espírito,
a mulher grita e desaparece)
Jhonny: O que foi isso?
Philip: A prova de que tudo isso é real.
Continua

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